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O efeito das cores do ambiente no trabalhador e para a segurança do trabalho

O efeito das cores do ambiente no trabalhador e na segurança do trabalhoAs organizações buscam utilizar cores como auxílio de segurança e bem estar dos trabalhadores. Atualmente, os programas de segurança no trabalho, para serem considerados bem sucedidos, devem ter sinalizações através da utilização de cores como ferramenta de prevenção, principalmente pelo fato de que na indústria da construção civil há grandes grupos de funcionários com dificuldades para a leitura e interpretação de textos, sendo facilitado a melhor compreensão das situações através das cores, porém, é preciso compreender esta simbologia visando a prevenção de acidentes, através de treinamentos.

A utilização das cores consiste no propósito de satisfazer as necessidades de eficiência e conforto, que estão diretamente relacionadas ao desempenho do trabalhador. Há estudos que dizem que as cores são capazes de proporcionar mal estar e sensações ruins, assim como, bem estar, satisfação e contentamento.

Veja a seguir algumas vantagens de se pensar seriamente nas cores:

  • Aumento no desempenho do trabalhador, resultando em maior produtividade;
  • Redução do índice de acidentes;
  • Melhoria no padrão de qualidade do trabalho;
  • Menor fadiga visual, através da adaptação dos contrastes;
  • Reações psicológicas positivas, reações estas relacionadas ao humor, satisfação e motivação;

A origem das cores

 A luz é uma condição básica para que a percepção visual ocorra.  Sem a luz, os olhos não podem observar forma, cor, espaço ou movimento.

Conforme descreveu Isaac Newton, o fenômeno do cromatismo, do ponto de vista físico, pode ser explicado através da composição da luz branca. O espectro eletromagnético não só proporciona ao ser humano a impressão luminosa, como também a da cor. Na sua experiência, Newton observou que um raio de luz solar, luz branca, ao passar através de um prisma, sofre uma refração, o que resulta na decomposição da luz branca em um certo número de raios de luz de comprimentos de ondas diferentes, os quais formam o espectro colorido visível, do vermelho ao violeta.

Prisma e Espectro da Luz Branca

Imagem: Fonseca, J.F-Apostila Ergonomia e cor nos ambientes de trabalho-2004, p.4.

A influência das cores do ambiente nas pessoas

Vários autores (FONTANA, 2009; HAYTEN, 1958; PILLOTO, 1980) sugerem que a cor pode ser utilizada para ajudar os indivíduos a se sentirem mais confortáveis no ambiente de trabalho, tanto fisicamente como emocionalmente. A diferença básica entre as cores quentes e frias é a amplitude e o comprimento da onda eletromagnética. Devido a lentidão do raio vermelho, ele esquenta, enquanto as cores ditas frias vibram tão depressa que não dá tempo de aquecer o local (MYERS, 2003).

As cores denominadas quentes são adequadas a ambientes que não recebem muita luz natural, dando a impressão de iluminar o espaço, o que não acontece em ambientes com muita luz natural, dando a impressão de abafamento e sufocamento aos trabalhadores, elas se tornam cansadas e pesadas.

As cores escuras criam a sensação de aproximação, enquanto que as claras dão a impressão de maior amplitude (PILLOTO, 1980). Apesar de que em muitas organizações a prática de utilizar as cores em prol da prevenção ainda não seja uma realidade, há muito tempo ela já é prevista na norma regulamentadora NR-26, que trata da cor na segurança do trabalho para sinalização e classificação dos riscos no ambiente de trabalho.

Círculo de cores quentes e cores frias

Imagem: Fonseca, J.F-Apostila Ergonomia e cor nos ambientes de trabalho-2004, p.5.

Em se tratando de segurança com a utilização das cores, não basta sair colorindo os espaços de trabalho sem nenhum critério, é preciso que a escolha das cores seja feita com cuidado e esteja adequada às funções exercidas em determinado espaço.

Com o conhecimento da psicologia das cores, em determinada área que os trabalhadores realizam trabalhos monótonos, deve-se utilizar cores fortes, estimulando os trabalhadores, enquanto áreas que necessitam de uma atenção maior, deve-se utilizar cores frias, buscando manter a atenção ao trabalho, o correto é sempre buscar o equilíbrio entre conforto e eficiência, daqueles trabalhadores que convivem naquele espaço.

As cores e a segurança na construção civil

Assim como em qualquer ambiente de trabalho, os profissionais estão expostos a riscos à sua segurança e a de terceiros, no canteiro de obras não é diferente. Nos locais de trabalho da construção civil enquadram-se os riscos físicos, químicos e biológicos, abrangendo ainda os riscos ergonômicos e os de acidentes.

Deve-se classificar as áreas e locais de trabalho de acordo com os tipos de riscos aos quais os trabalhadores estão expostos. Para isso, existe um mapa de risco:

Simbologia das cores - Mapa de Risco

Clique na imagem para ampliar.

Os tipos de riscos exibidos no mapa de risco são:

Simbologia: Verde = Riscos Físicos Riscos Físicos

Consideram-se agentes de risco físico as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, calor, frio, pressão, umidade, radiações ionizantes e não-ionizantes, vibração e etc.

Simbologia: Vermelho = Riscos Químicos Riscos Químicos

Consideram-se agentes de risco químico os compostos, as substâncias ou produtos que possam penetrar no organismo do trabalhador pelas vias respiratórias, pele ou ingestão nas formas de poeiras, fumos, gases, neblinas, névoas ou vapores.

Simbologia: Vinho = Riscos Biológicos Riscos Biológicos

Consideram-se como agentes de risco biológico as bactérias, vírus, fungos, parasitas, entre outros.

Simbologia: Amarelo = Riscos Ergonômicos Riscos Ergonômicos

Qualquer fator que possa interferir nas características físicas e mentais do trabalhador, causando desconforto ou afetando sua saúde. São exemplos de risco ergonômico: levantamento de peso, ritmo excessivo de trabalho, monotonia, repetitividade, postura inadequada de trabalho, etc.

Simbologia: Azul = Riscos Acidentais Riscos de Acidentes

Qualquer fator que coloque o trabalhador em situação de risco e possa afetar sua integridade e seu bem-estar físico e mental. São exemplos de risco de acidente: as máquinas e equipamentos sem proteção, possibilidade de incêndio e explosão, falta de organização no ambiente, armazenamento inadequado, etc.

Treinamento dos profissionais

Os dados obtidos por meio de pesquisa e estudos sugerem uma atenção maior ao desenvolvimento de treinamentos em escolas profissionalizantes sobre a importância das cores também na área de segurança. Estudos mostram que os trabalhadores apresentam um baixo nível de conhecimento sobre a importância das cores como sinalização, com a falta de informação, pode acarretar em acidentes por atos inseguros.

Vale intensificar os treinamentos de conscientização de utilização das cores nas organizações, como prevenção de acidentes, e o bem estar dos trabalhadores, além dos temas normais de segurança, assim como adicionar nas planilhas de inspeções de segurança da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), uma ficha de avaliação da evolução do grau de compreensão do trabalhador, sobre as cores de segurança, no seu setor.

A análise das revisões bibliográficas mostra que é possível a aplicação funcional das cores nos ambientes de trabalho, com o propósito de satisfazer as necessidades de bem estar e eficiência, que estão diretamente relacionadas ao desempenho no trabalho, e a segurança do trabalhador.

Agradecimentos

Registramos aqui os sinceros agradecimentos ao ilustre Engenheiro Industrial Mecânico, Leoncio Ubiratan Peres, pela colaboração na elaboração deste artigo.


Artigo de Cíntia Reis, Engenheira Civil.

Engenheira Civil Cíntia Reis

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Uma resposta para O efeito das cores do ambiente no trabalhador e para a segurança do trabalho

  • Leandro dos Santos

    Em um ambiente de trabalho, não só a produtividade dos profissionais deve ser levada em consideração. Acima de tudo, a preocupação com a segurança dos profissionais é algo que deve ser sempre primordial. As cores são fatores fundamentais para alertar e orientar quanto aos riscos envolvidos, pois são de fácil compreensão e percepção para a maioria dos trabalhadores.

    Parabéns pelo excelente artigo, cara Engenheira Civil Cíntia Reis! 😉

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