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Paisagismo: Como escolher a planta ideal para seu jardim

Paisagismo e JardimO paisagismo, que visa proporcionar a integração do homem com a natureza, pode transformar a edificação onde é aplicado de diversas formas, seja esta para uso residencial, comercial e até industrial, pois como a vegetação estará sempre em evolução, o espaço consequentemente também estará em constante mudança e enriquecimento.

No entanto, é importante a escolha correta dos itens e tipologia da vegetação com base em inúmeros fatores que devem ser devidamente analisados e levados em consideração como o espaço, a insolação e a umidade.

Neste artigo abordaremos estas questões para auxiliar na escolha correta dos tipos de plantas a serem utilizados e na elaboração de um projeto de paisagismo.

Sol e Água

Primeiramente deve ser analisada a insolação do local, que seria a presença e quantidade de radiação proveniente do Sol, assim como o horário em que há maior ou menor incidência e por qual período de tempo, bem como se há sombra e qual a temperatura média do local. A quantidade de luz solar necessária e a temperatura, mais elevada ou mais amena, variam de espécie para espécie, por isso é muito importante também considerar esta questão.

Plantas de sol não devem ser colocadas à sombra, assim como plantas de sombra não devem ficar expostas diretamente ao Sol. Plantas que requerem de maior intensidade dos raios solares para o seu desenvolvimento irão crescer em direção à radiação solar. Se plantadas à sombra, crescerão desorientadas em busca do Sol.

Em oposição, as que se adaptam melhor à sombra desenvolver-se-ão melhor em ambientes de pouca luz, ao passo que se plantadas em locais com incidência direta dos raios solares, tenderão a aparesentar aparência amarelada.

Existem também plantas de meia-sombra, que precisam de muita luminosidade, mas não gostam de raios solares diretos, principalmente no horário entre as 10 horas da manhã e as 5 horas da tarde. Elas são ótimas para ambientes internos, desde que próximos às janelas da edificação.

Além da presença de luz solar, é importante verificar qual o percentual de umidade do solo, assim como se existirá incidência direta de precipitações (chuvas) e se seria necessário irrigar ou drenar para alcançar a umidade ou teor de água ideal.

Como é sabido por todos, o metabolismo das plantas ocorre por processos químicos e bioquímicos, em que elas utilizam a luz solar para separar as moléculas de água em hidrogênio e oxigênio. Este processo é denominado fotossíntese. O hidrogênio da água obtida pelas raízes em combinação com o dióxido de carbono do ar, produz açúcar, que é queimado pelo oxigênio para transformar-se em energia para os processos vitais das plantas. Como resultado, geralmente parte do oxigênio da água é devolvido à atmosfera em forma de vapor.

Muitas plantas não requerem apenas umidade do solo, mas também precisam de umidade do ar. Então, em ambientes onde a umidade do ar é baixa, é aconselhável utilizar vasilhas com água que permitam a evaporação próximo da planta. Porém, não esqueça de adicionar areia nestes vasos para evitar a proliferação de mosquitos e pernilongos como o Aedes Aegypti, vetor responsável pela transmissão de doenças graves como a Febre Amarela e a Dengue.

O Solo

Após realizar o levantamento acerca da presença de raios de Sol e da Água no local, devemos estar atentos ao tipo de solo e à sua qualidade, que se for baixa, será necessária a adubação ou a adição de complementos para melhorar a quantidade de nutrientes neste solo.

A qualidade do solo está relacionada a presença de nutrientes, que são basicamente elementos químicos essenciais ao desenvolvimento das vegetações (plantas), como carbono, hidrogênio e oxigênio, responsáveis pela constituição de cerca de 90 a 96 % dos tecidos vegetais. Porém, não são levados em consideração em estudos de fertilidade do solo, pois estes nutrientes são fornecidos pelo ar e pela água. Para analisar a fertilidade do solo, os nutrientes são classificados como macronutrientes, que são os absorvidos em grande quantidade e micronutrientes, absorvidos em pequenas quantidades. Basicamente, os elementos químicos presentes nos macronutrientes e micronutrientes são:

  1. Macronutrientes primários: nitrogênio, fósforo e potássio;
  2. Macronutrientes secundários: cálcio, Magnésio e enxofre;
  3. Micronutrientes: boro, ferro, zinco, manganês, cobre, molibdênio e cloro.

O Espaço

Além do que já foi dito, é preciso verificar se o local de implantação é amplo, restrito, sobre laje (dimensão e profundidade), se o paisagismo será realizado em vasos, entre outros modelos. O espaço disponível é fundamental para a elaboração do projeto de paisagismo.

As plantas crescem e algumas espécies podem se tornar enormes, por isso, é muito importante verificar o espaço disponível, não só para o crescimento fora da terra, mas também subterrâneo, das raízes. Limitações de espaço para o crescimento das raízes pode ocasionar tanto problemas no desenvolvimento da planta quanto instabilidade na sustentação da estrutura da mesma. Falaremos mais sobre as raízes mais adiante.

A altura que a vegetação poderá alcançar é algo muito importante a ser analisado, tanto de acordo com o espaço disponível para seu crescimento quanto para a sombra ela irá fazer na edificação. Também é importante avaliar qual o tamanho poderá chegar um arbusto e até mesmo plantas rasteiras, que podem ser trepadeiras, embora esta parte e tipologia da vegetação pode ser contornada com a poda correta, dando a planta novos formatos, diferentes alturas, etc.

Ciclo de vida

A escolha da vegetação deve levar em consideração o ciclo de vida da mesma, ou seja, se são plantas de ciclos anuais, bianuais ou perenes.

As plantas de ciclo anual, assim como subentendido em sua nomenclatura, têm o seu ciclo completo em um ano (nasce, floresce, reproduz e morre), assim devem ser trocadas com maior frequência, como exemplo, o Amor Perfeito (Viola x wittrockiana) e a Zínia (Zinnia elegans).

Flor Amor Perfeito

Flor Amor Perfeito (Viola x wittrockiana).

As plantas de ciclo bianuais são vegetações que possuem ciclo de dois anos, geralmente ciclo vegetativo no primeiro ano e ciclo floral no segundo, de frutos, e quando ocorre o ciclo reprodutivo (sementes, brotação e etc.) como o Pinheiro-Orvalhado (Drosophyllum lusitanicum).

E por fim, as plantas de ciclos perenes possuem um ciclo de vida mais prolongado, sem precisar ser trocadas com frequência, como a Flor-de-Lis (Sprekelia formosíssima) e o Aspargos (Asparagus setaceus).

Fauna

Outro ponto importante a ser levado em consideração, que quase sempre é esquecido, são que tipos de insetos ou animais que estas plantas poderão e irão atrair, ou seja, a fauna que provavelmente se instalará junto à vegetação.

Exemplos de populações atraídas por plantas são os morcegos, que são atraídos por Caliandra (Calliandra tweedii) e por Chapéu de Sol (Terminalia catappa). Os besouros e as borboletas (enquanto lagartas) são atraídos pelo Coqueiro da Bahia (Cocos nucifera) por dele se alimentarem.

A tipologia da flor sempre indicará qual tipo de inseto ou animal estará atraindo, fique atento a isto para não ser surpreendido no futuro.

Raízes

As raízes sempre devem ser analisadas e estudas previamente, pois são comumente deixadas de lado nestas analises e posteriormente se tornam um empecilho nas edificações. Existem vários tipos, sendo as mais comuns, em vegetações maiores como arvores, raízes pivotantes, que possuem um pivô central que desencadeia as secundárias, como em pinheiros. As raízes superficiais, que como o próprio nome indica, são localizadas na superfície da terra, como o Flamboyant ou Flamboaiã (Delonix regia), também conhecido como flor-do-paraíso, pau-rosa e acácia-rubra. Há também as raízes fibrosas, encontradas em coqueiros.

Flamboyant

Flamboyant ou Flamboaiã (Delonix regia)

Devemos estar atentos se esta tipologia de planta não possui raízes que se desenvolvam demais, dependendo do espaço disponível, como ela se comporta em relação às calçadas, etc. Raízes superficiais precisam de mais espaço para se desenvolver, assim, árvores grandes com raízes superficiais irão “estourar a calçada”, ou o que for necessário para poder crescer. Já as raízes pivotantes, quando sobre lajes, irão estourá-las, pois necessitam maior espaço livre em profundidade.

Há também, por fim, plantas cujo as raízes “irão atrás de água”, como o Ficus ( Ficus benjamina) e alguns tipos de bambu, que poderão estourar canos, piscinas, caixas d’água e até mesmo cisternas em busca de água, mesmo que mais afastadas.

A escolha certa

Para uma escolha certeira, sempre busque ter em mãos o nome científico da planta. Depois, pesquise sobre ela e descubra suas necessidades e como ocorre seu desenvolvimento, assim você evita inúmeros problemas no futuro. Com isso, é possível garantir uma vida mais longas às plantas, um jardim mais harmonioso, saudável e sem erros.

Paisagismo em jardins

Paisagismo em jardins de 1954 – Fazenda Tacaruna, Pedro do Rio – RJ

Fontes:
Referencia: Foto paisagismo ASCON UFLA – 6º Simpósio Internacional de Paisagismo (http://www.ufla.br)
Foto flor Amor Perfeito (http://florescuritiba.arteblog.com.br)
Foto árvore Flamboyant (http://www.suggestkeyword.com)
Foto paisagismo por Burle Marx – 1954, Rio de Janeiro – RJ (http://www.burlemarx.com.br)


Artigo de Mariana Primos, Arquiteta e Urbanista.

Mariana Primos - Arquiteta e Urbanista

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